sábado, 5 de setembro de 2009

Deputado defende o candomblé na Câmara Federal


Emiliano conseguiu, em 1989, exercendo mandato de deputado estadual, aprovar artigo na Constituição que consagra o candomblé como religião[

O deputado federal Emiliano José (PT-BA) fez discurso em defesa do candomblé na Câmara Federal, dia 1º de setembro. O parlamentar disse que o candomblé é uma religião de muitos preceitos, sendo um deles o profundo respeito e amor pela natureza. "Para as religiões de matriz africana, é como se a humanidade fosse filha da natureza. E por isso é preciso sempre tratá-la com todo carinho, zelo, devoção. Como não cuidar da mãe? Como maltratá-la? Como desprezá-la? Parece que o candomblé freqüentemente faz essas indagações".

Segundo o deputado, trata-se de uma relação umbilical, amorosa. "Lembrando Leonardo Boff, diria que o candomblé, diariamente, repete que é preciso saber cuidar da natureza. Reclama a presença da natureza para existir, sobreviver. Reclama a roça, a mata, as árvores, as plantas, as ervas. Precisa das águas, e de águas limpas para fazer bem os seus preceitos. Tudo isso configura uma cultura, um modo de estar no mundo. Essa compreensão sobre o candomblé é que levou o governo da Bahia a dar início aos Encontros pelas Águas com reuniões de mais de uma centena de terreiros", afirmou.

Encontro pelas Águas
O primeiro Encontro pelas Águas, ocorrido na histórica cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano, entre os dias 23 e 24 de agosto, foi destacado por Emiliano em seu discurso. Ele participou da mesa de abertura junto a autoridades religiosas do candomblé, do diretor geral do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), Júlio Rocha, e da secretária de Promoção da Igualdade Racial e de Gênero, Luiza Barrios..

Além de destacar o amor do candomblé pela natureza e pelas águas, o parlamentar lembrou que na constituinte baiana, em 1989, exercendo mandato de deputado estadual, conseguiu aprovar artigo na Constituição que consagra o candomblé como religião. De acordo com ele, até 1975, na Bahia, o candomblé era considerado caso de polícia e tinha que requerer autorização nas delegacias para cumprir os seus preceitos..

Emiliano reforço que, até o dia 28 de novembro deste ano, ocorrerão mais seis Encontros pelas Águas, reunindo quilombolas, marisqueiras e pescadores, povos indígenas, de fundos de pasto, moradores das Gerais e mulheres, nos municípios de Prado, Santa Maria da Vitória, Itiúba, Carinhanha, Rio de Contas e Santa Cruz Cabrália. "É dessa forma que o governo da Bahia está provocando a participação decisiva dos povos e comunidades tradicionais na gestão participativa das águas no Estado da Bahia", disse.

A primeira edição dos Encontros pelas Águas, promovida pelo Ingá, ocorreu no segundo semestre de 2007, e possibilitou a participação de cerca de 3 mil pessoas nos nove encontros realizados no interior do Estado. "Certamente esse número será largamente superado nos sete Encontros Pelas Águas deste ano. Com isso, está sendo efetivada uma política pública que atende às necessidades e expectativas da sociedade em relação à água", ressaltou.Leia o discurso na íntegra.

Da redação, com informações de assessoria

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